Durante anos, conquistar tráfego significava conquistar o clique.
Para publishers, aparecer nas primeiras posições dos mecanismos de busca representava uma das principais portas de entrada para audiência, monetização e influência.
Mas essa dinâmica está mudando.
Google AI Overviews, AI Mode e plataformas baseadas em inteligência artificial estão começando a responder perguntas diretamente na interface. Em vez de pesquisar, escolher um resultado e acessar uma página, o usuário pode receber uma resposta sintetizada antes mesmo de visitar um site.
Não significa o fim dos publishers. Mas pode significar o fim de uma estratégia baseada exclusivamente em conquistar cliques.
A busca está deixando de entregar apenas links para entregar respostas
Essa transformação já pode ser observada em dados recentes.
Uma pesquisa experimental publicada em 2026 identificou que, quando AI Overviews apareciam, os cliques orgânicos para páginas externas caíam 39,8%, enquanto as buscas encerradas sem clique aumentavam 34,5% (SSRN).
Outro experimento recente também encontrou aumento do CTR para publishers quando AI Overviews e AI Mode eram removidos da experiência de busca (arXiv).
Há, portanto, uma mudança importante acontecendo: ser encontrado e receber um clique estão deixando de ser exatamente a mesma coisa.
De SEO para um ecossistema de descoberta
SEO continua relevante. Mas passa a dividir espaço com outras formas de descoberta.
O consumidor pode:
- descobrir um produto no TikTok;
- assistir à avaliação de um creator;
- perguntar sobre alternativas para uma IA;
- ler um comparativo;
- receber uma recomendação em uma newsletter;
- e finalizar a compra diretamente em uma plataforma.
Isso muda o papel do publisher. O objetivo deixa de ser exclusivamente capturar tráfego e passa também a envolver construir autoridade e participar da decisão.
SEO morreu? Os dados indicam algo mais complexo
Não.
Na realidade, SEO continua tendo relação importante com a visibilidade dentro das próprias respostas de IA.
Uma análise da Conductor sobre milhões de citações encontrou AI Overviews em 41,3% das buscas analisadas no segmento de publishing. Entre as páginas citadas nessas respostas, 42,2% também estavam entre os dez primeiros resultados orgânicos do Google (Conductor).
O dado revela uma mudança interessante. Ranking continua importando, mas ranking não garante mais o clique nem garante sozinho a visibilidade.
A disputa passa a acontecer simultaneamente pela posição nos resultados tradicionais e pela presença nas respostas produzidas por mecanismos de IA.
De SEO para AEO e GEO
É nesse cenário que termos como AEO (Answer Engine Optimization) e GEO (Generative Engine Optimization) começam a ganhar espaço.
Em termos simples:
- SEO busca aumentar a visibilidade nos mecanismos de busca;
- AEO procura estruturar conteúdo para que mecanismos consigam utilizá-lo na construção de respostas;
- GEO amplia essa lógica para ambientes de inteligência artificial generativa.
Mas isso não significa abandonar SEO e substituir uma sigla por outra. A estratégia mais consistente tende a combinar SEO, autoridade, conteúdo especializado, presença de marca, distribuição e audiência própria.
Inclusive, dados recentes mostram que mecanismos de IA ainda geram uma parcela relativamente pequena das visitas diretas aos publishers. Um estudo citado pelo Search Engine Land encontrou apenas 1,1% das visitas analisadas provenientes diretamente de referrals de IA (Search Engine Land).
Ou seja: otimizar para IA não deveria significar simplesmente tentar substituir o tráfego perdido do Google por tráfego do ChatGPT. A oportunidade pode estar em algo maior.
O novo ativo do publisher pode ser influência, não somente tráfego
Esse talvez seja o ponto mais relevante para o Marketing de Afiliados.
Se parte da descoberta passa a acontecer sem clique, o valor de um publisher não deveria ser medido exclusivamente pela quantidade de visitas que consegue enviar.
Publishers podem construir valor através de:
- conteúdo especializado;
- comparações;
- reviews;
- recomendações;
- newsletters;
- comunidades;
- vídeos;
- social media;
- autoridade temática;
- e influência sobre decisões de compra.
O próprio affiliate marketing está se expandindo para além de sites tradicionais de cupons e cashback, incorporando publishers, creators e diferentes formatos de conteúdo ligados à decisão de compra (Ad Pulse).
Isso aproxima dois universos que durante muito tempo foram tratados separadamente: conteúdo e commerce.
Audiência própria se torna ainda mais estratégica
Existe outra consequência dessa transformação.
Quanto maior a dependência de uma única plataforma para aquisição de audiência, maior a exposição às mudanças dessa plataforma.
Para publishers, construir relações diretas com usuários passa a ser um ativo estratégico: newsletter, comunidade, aplicativo, cadastro, social e audiências recorrentes.
Dados da Piano apontaram queda de 36% no tráfego de busca entre publishers analisados, enquanto operações que fortalecem relações diretas por meio de apps, newsletters e registros têm encontrado outras maneiras de sustentar crescimento e receita (Piano).
A lógica é simples: a audiência que conhece o publisher é mais defensável do que a audiência emprestada por um algoritmo.
E onde entra o Marketing de Afiliados?
Se publishers precisam diversificar monetização e marcas precisam alcançar consumidores em jornadas cada vez mais fragmentadas, o Marketing de Afiliados pode funcionar como uma ponte entre os dois lados.
O publisher transforma sua influência e audiência em uma oportunidade de monetização. O anunciante acessa novos pontos de contato e paga de acordo com o modelo de performance estabelecido. E a tecnologia conecta essas interações ao resultado.
Nesse contexto, affiliate deixa de ser interpretado apenas como "um link que gera comissão". Ele passa a fazer parte de uma economia baseada em parcerias, influência, conteúdo e commerce.
O publisher do futuro não precisa escolher entre audiência e performance
A inteligência artificial provavelmente continuará transformando a maneira como pessoas encontram informações e produtos. Isso exige adaptação.
Mas também cria uma oportunidade para publishers que conseguirem construir autoridade para além de uma única fonte de tráfego.
A pergunta estratégica deixa de ser somente:
"Como faço o usuário clicar no meu conteúdo?"
E passa a incluir:
"Como faço minha marca, conteúdo ou recomendação participar da decisão?"
Para publishers, essa mudança pode abrir novas possibilidades de distribuição e monetização. Para anunciantes, pode significar uma rede muito mais diversa de parceiros capazes de influenciar diferentes momentos da jornada. E para o Marketing de Afiliados, significa ocupar um espaço cada vez mais próximo da interseção entre conteúdo, tecnologia, influência e performance.
A RNK Media conecta publishers e anunciantes para transformar essas relações em oportunidades de negócio orientadas a resultados.
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